Como se a Terra corresse
Inteirinha atrás de mim
O medo ronda-me os sentidos
Por baixo da minha pele
Ao esgueirar-se viscoso
Escorre pegajoso
E sai
Pelos meus poros
Pelos meus ais
Ele penetra-me nos ossos
Ao derramar-se sedento
Nas entranhas sinuosas
Entre as vísceras mordendo
Salta e espalha-se no ar
Vai e volta
Delirante
Tão delirante
É como um sonho acordado
Esse vulto besuntado
A revolver-se no lodo
A deslizar de uma larva
Emergindo lá do fundo
Tenho medo ó medo
Leva tudo é teu
Mas deixa-me ir
Arrasta-me à côncava da funda
Do grande lago da noite
Cruzando as grades de fogo
Entre o Céu e o Inferno
Até à boca escancarada
Esfaimada
Atrás de mim
Atrás de mim
É como um sonho acordado
Esses olhos no escuro
Das carpideiras viúvas
Pelo pai assassinado
Desventrado por seu filho
Que possuiu lascivo
A sua própria mãe
E sua amante
Meu amor quando eu morrer
Ó linda
Veste a mais garrida saia
Se eu vou morrer no mar alto
Ó linda
E eu quero ver-te na praia
Mas afasta-me essas vozes
Linda
Tens medo dos vivos
E dos mortos decepados
Pelos pés e pelas mãos
E p'lo pescoço e pelos peitos
Até ao fio do lombo
Como te tremem as carnes
Fernão Mendes
Fausto, in "Por este rio acima"
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Carpideira ou Bôbo da Côrte...
Ando cá a pensar com meus botões se preciso de uma carpideira, paga para chorar no meu funeral, ou se de um bôbo da corte para me fazer rir... do meu próprio destino!!!
Porque é que insisto sempre em partir os mesmos ossos?
Quando meu auto-diagnóstico me diz que já estou sarada de uma fractura, volto a cair e partir-me toda!!!
Esta a tornar-se um caso crónico...
Porque é que insisto sempre em partir os mesmos ossos?
Quando meu auto-diagnóstico me diz que já estou sarada de uma fractura, volto a cair e partir-me toda!!!
Esta a tornar-se um caso crónico...
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Maderensis profundis... :D
Era uma vez…
Tava o vendeiro ao paleio com o vadio do vilhão quando ouviu uma zoada. Era
a água de giro. O buzico do levadeiro que vinha mercar palhetes à venda,
vinha às carreiras e às parafitas com bizalho. Dá-lhe uma cangueira,
trompicou no matulhão do vilhão. Bate cas ventas no lanço e esmegalha a
pucra. O vilão dá-lhe uma reina vai a cima dele para lhe dar uma relampada,
patinha uma poia. Ficou todo sovento. O vendeiro dá-lhe uma rezonda por ele
querer malhar num bizalho dum pequeno. Vem o levadeiro, e, ao ver o vassola,
que anda à gosma e a encher o pandulho à custa dos outros, a ferrar com o
filho, fica variado do miolo e diz-lhe umas.
O vilhão atazanado, atremou mal e pensou que ele lhe tinha chamado de
chibarro, ficou alcançado, deu-lhe uma rabanada e foi embora todo
esfrancelhado. O levadeiro ficou mais que azoigado mas lá foi desatupir a
levada.
O piquene chegou a casa todo sentido, com um mamulhão. A mãe que é uma
rabugenta mas abica-se por ele, ao vê-lo todo ementado, deu-lhe um chá que
era uma água mijoca, pensando que canalha é mesmo assim, mas, como ele não
arribava, antes continuava olheirento, entujado e da chorrica foi curar do
bicho virado e do olhado. O busico arribou e até já anda a saltar poios de
bananeiras na Fajã.
Tava o vendeiro ao paleio com o vadio do vilhão quando ouviu uma zoada. Era
a água de giro. O buzico do levadeiro que vinha mercar palhetes à venda,
vinha às carreiras e às parafitas com bizalho. Dá-lhe uma cangueira,
trompicou no matulhão do vilhão. Bate cas ventas no lanço e esmegalha a
pucra. O vilão dá-lhe uma reina vai a cima dele para lhe dar uma relampada,
patinha uma poia. Ficou todo sovento. O vendeiro dá-lhe uma rezonda por ele
querer malhar num bizalho dum pequeno. Vem o levadeiro, e, ao ver o vassola,
que anda à gosma e a encher o pandulho à custa dos outros, a ferrar com o
filho, fica variado do miolo e diz-lhe umas.
O vilhão atazanado, atremou mal e pensou que ele lhe tinha chamado de
chibarro, ficou alcançado, deu-lhe uma rabanada e foi embora todo
esfrancelhado. O levadeiro ficou mais que azoigado mas lá foi desatupir a
levada.
O piquene chegou a casa todo sentido, com um mamulhão. A mãe que é uma
rabugenta mas abica-se por ele, ao vê-lo todo ementado, deu-lhe um chá que
era uma água mijoca, pensando que canalha é mesmo assim, mas, como ele não
arribava, antes continuava olheirento, entujado e da chorrica foi curar do
bicho virado e do olhado. O busico arribou e até já anda a saltar poios de
bananeiras na Fajã.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Sometimes, when you lose... you win!!!
«Será sempre impossivel determinar com um mínimo de segurança em que medida é que as nossas relações com outrem resultam dos nossos sentimentos, do nosso amor, do nosso desamor, da nossa benevolência ou do nosso ódio, e em que medida é que estão previamente condicionadas pelas relações de forças existentes entre os indivíduos.»
Milan Kundera, in "A insustentável leveza do ser"
Milan Kundera, in "A insustentável leveza do ser"
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Times Like These
Porque é assim que me sinto hoje!!!
In times like these
In times like those
What will be will be
And so it goes
And it always goes on and on...
On and on it goes
And there has always been laughing, crying, birth, and dying
Boys and girls with hearts that take and give and break
And heal and grow and recreate and raise and nurture
But then hurt from time to times like these
And times like those
And what will be will be
And so it goes
And there will always be stop and go and fast and slow
Action,Reaction, sticks and stones and broken bones
Those for peace and those for war
And god bless these ones, not those ones
But these ones made times like these
And times like those
What will be will be
And so it goes
And it always goes on and on...
On and on it goes
But somehow I know it won't be the same
Somehow I know it will never be the same.
In times like these
In times like those
What will be will be
And so it goes
And it always goes on and on...
On and on it goes
And there has always been laughing, crying, birth, and dying
Boys and girls with hearts that take and give and break
And heal and grow and recreate and raise and nurture
But then hurt from time to times like these
And times like those
And what will be will be
And so it goes
And there will always be stop and go and fast and slow
Action,Reaction, sticks and stones and broken bones
Those for peace and those for war
And god bless these ones, not those ones
But these ones made times like these
And times like those
What will be will be
And so it goes
And it always goes on and on...
On and on it goes
But somehow I know it won't be the same
Somehow I know it will never be the same.
terça-feira, 31 de julho de 2007
Lembra-me Um Sonho Lindo
Lembra-me um sonho lindo
Quase acabado
Lembra-me um céu aberto
Outro fechado
Estala-me a veia em sangue
Estrangulada
Estoira no peito um grito
À desfilada
Canta rouxinol canta
Não me dês penas
Cresce girassol cresce
Entre açucenas
Afaga-me o corpo todo
Se te pertenço
Rasga-me o ventre ardendo
Em fumos de incenso
Ai, como eu te quero
Ai, de madrugada
Ai, alma da terra
Ai, linda
Assim deitada
Ai, como eu te amo
Ai, tão sossegada
Ai, beijo-te o corpo
Ai, seara
Tão desejada
Fausto Bordalo Dias ["Por este Rio acima", 1982]
Quase acabado
Lembra-me um céu aberto
Outro fechado
Estala-me a veia em sangue
Estrangulada
Estoira no peito um grito
À desfilada
Canta rouxinol canta
Não me dês penas
Cresce girassol cresce
Entre açucenas
Afaga-me o corpo todo
Se te pertenço
Rasga-me o ventre ardendo
Em fumos de incenso
Ai, como eu te quero
Ai, de madrugada
Ai, alma da terra
Ai, linda
Assim deitada
Ai, como eu te amo
Ai, tão sossegada
Ai, beijo-te o corpo
Ai, seara
Tão desejada
Fausto Bordalo Dias ["Por este Rio acima", 1982]
quinta-feira, 21 de junho de 2007
domingo, 17 de junho de 2007
O valor das coisas!
«O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis»
Fernando Sabino
Fernando Sabino
sábado, 16 de junho de 2007
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Pensamento do Dia!
Porque as mulheres não podem ser electricistas??????
R: Porque demoram nove meses a dar a luz!!!!
R: Porque demoram nove meses a dar a luz!!!!
domingo, 10 de junho de 2007
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Surpresas acontecem!!!
Às vezes ficamos surpreendidos ao saber o que as pessoas pensam de nós...
A resposta mano... a força que falavas... vem de três valores fortes que sempre me acompanham... Fé, Amor e Família!!!
Senti-me muito honrada pelo convite... e muito mais pelos motivos... que afinal vem de voçes todos!!!!
P.s. Já agora uma fotografia para lembrar velhos tempos de infância!!!! hehehe
A resposta mano... a força que falavas... vem de três valores fortes que sempre me acompanham... Fé, Amor e Família!!!
Senti-me muito honrada pelo convite... e muito mais pelos motivos... que afinal vem de voçes todos!!!!
P.s. Já agora uma fotografia para lembrar velhos tempos de infância!!!! hehehe
sexta-feira, 20 de abril de 2007
Yo pienso en ti!
" Yo pienso en ti, tú vives en mi mente
sola, fija, sin tregua, a toda hora,
aunque tal vez el rostro indiferente
no deje reflejar sobre mi frente
la llama que en silencio me devora.
En mi lobrega y yerta fantasía
brilla tu imagen apacible y pura,
como el rayo de luz que el sol envía
a traves de una boveda sombria
al roto mármol de una sepultura.
Callado, inerte, en estupor profundo,
mi corazón se embarga y se enajena
y allá en su centro vibra moribundo
cuando entre el vano estrépito del mundo
la melodía de tu nombre suena.
Sin lucha, sin afán y sin lamento,
sin agitarme en ciego frenesí,
sin proferir un solo, un leve acento,
las largas horas de la noche cuento
¡y pienso en ti! "
José Batres Montúfar
sola, fija, sin tregua, a toda hora,
aunque tal vez el rostro indiferente
no deje reflejar sobre mi frente
la llama que en silencio me devora.
En mi lobrega y yerta fantasía
brilla tu imagen apacible y pura,
como el rayo de luz que el sol envía
a traves de una boveda sombria
al roto mármol de una sepultura.
Callado, inerte, en estupor profundo,
mi corazón se embarga y se enajena
y allá en su centro vibra moribundo
cuando entre el vano estrépito del mundo
la melodía de tu nombre suena.
Sin lucha, sin afán y sin lamento,
sin agitarme en ciego frenesí,
sin proferir un solo, un leve acento,
las largas horas de la noche cuento
¡y pienso en ti! "
José Batres Montúfar
quarta-feira, 18 de abril de 2007
A opera mágica do cantor maldito!
segunda-feira, 16 de abril de 2007
"Amanhã, se voltar ao meu sonho, quero ir contigo e deixar-me aqui a mim!"
domingo, 15 de abril de 2007
A vida é bela!
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